Há muitos anos a esta parte que no MTA -Centro de Elvas, Portugal, uma ou duas vezes por ano, organizamos uma ou duas peregrinações, uma por caminhos e sítios de Portugal, outra por lugares teresianos de Espanha ou centros de Espiritualidade de outros países. O objetivo é sempre o mesmo: “Sair fora para nos encontrarmos dentro”. Quebrar a monotonia do lugar, onde habitualmente nos movemos, para nos encontrarmos connosco próprios, crescer na relação uns com os outros, aumentar o nosso conhecimento cultural e saborear a bondade do Senhor que nos habita.
Depois da grande Peregrinação Jubilar a Roma, no ano 2025, decidimos, neste ano de 2026, peregrinar pelos espaços lindos do Nordeste de Portugal, “Trás-os-Montes, ali bem perto de Zamora, Espanha, e mergulhar na Espiritualidade de Fátima, peregrinando até ao Santuário e participarmos, ativamente, nas celebrações da Peregrinação Internacional dos dias 12 e 13 de maio.
*Peregrinando ao ritmo da Laudato SI. A Peregrinação a “Trás-os-Montes”, aconteceu de 25 a 28 de Abril. Foram 4 dias de contemplação pela beleza da Criação, com o Evangelho e a Laudato SI na mochila e, os olhos e coração atentos às paisagens maravilhosas que íamos encontrando no caminho e que nos faziam exclamar como Teresa de Jesus: “Em tudo o que Deus criou, mesmo que seja uma formiguinha há mais do que se pensa”.
As paisagens estavam lindas e convidavam à contemplação!
O verde das montanhas e as giestas amarelas, que as serpenteavam, os lagos, calmos e silenciosos, “murmuravam” a todos aquela paz e serenidade que nos acalmavam o espírito e faziam brotar de dentro de nós louvores ao Criador: “Grande é o teu nome Senhor, em toda a terra” ou “mares e rios louvai ao Senhor”. Os 32 peregrinos e peregrinas, orientados pela irmã Fátima Magalhães, lá iam tirando da Mochila a Laudato SI ou o Evangelho para lerem e refletirem pequenos trechos e dialogarem. entre todos, como como Jesus vivia em plena harmonia com a Criação, como rezava junto ao mar ou nas montanhas, e como convidava os discípulos a saborearem as belezas da Natureza: “Levantai os olhos e vede os campos que estão doirados para a ceifa”. (Jo 4,35). A reflexão sobre a Laudato Si ajudou o grupo a pensar seriamente nas questões ambientais e partilharem o que cada um pode e deve fazer, para cuidar a nossa Casa Comum e promover um desenvolvimento sustentável da nossa mãe, a Terra.
Na oração da manhã e da noite, que fizemos sempre, na Eucaristia dominical, que celebrámos na Catedral de Vila Real, na oração do Rosário, que acontecia enquanto viajávamos de um sítio para o outro, não faltou a oração cristã pela criação, do papa Francisco: “Senhor, tomai-nos sob o vosso poder e a vossa Luz para proteger cada vida, para preparar um futuro melhor, para que venha o vosso Reino de justiça, paz, amor e beleza. Louvado sejais”. Como dizia uma peregrina, esta peregrinação foi uma oportunidade de nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe. “Se tivesse ficado em casa não tinha aberto a Laudato SI e descobrir que também eu sou convidada a fazer o que sei e posso no cuidado da nossa Casa Comum.”
* 12 e 13 de maio. Peregrinos de Fátima, onde o Céu abraça a Terra.
Partimos de Elvas, cerca de 50 peregrinos no dia 12 de maio pelas 8h da manhã. Todos ligados à Família Teresiana: Pessoas do MTA, sócios/as da nossa Associação, Fratelli Tutti, voluntários dos Projetos Sociais, colaboradores, etc. Para além destes, cerca de 15, tinham partido a pé dias antes. O mesmo objetivo: Chegar à “Casa da Mãe”, como lhe chamou, em 2017, o papa Francisco, e mergulhar na Espiritualidade de Fátima. Foram longas horas de reflexão e oração pelos caminhos de Maria. A oração do Rosário, que Nossa Senhora tanto pediu em 1917, faz agora 109 anos, ouvia-se entoada por nós e por tantos peregrinos que caminhavam ao longo da estrada. A via sacra rezada desde o Lugar dos Valinhos, (local da aparição de agosto de 1917), até ao Calvário Húngaro, as celebrações da noite do dia 12, no recinto da Oração, a procissão de velas, a celebração da Palavra, a procissão do silêncio, tudo nos concentrava em silêncio e oração. “Temos Mãe”, fazia, de novo eco no nosso coração, esta frase do papa Francisco. E foi no regaço desta Mãe comum, que colocamos todos as nossas preces de louvor, gratidão e interceção. No dia 13, bem cedinho, de novo no recinto de oração para o centro das celebrações: A Eucaristia internacional, presidida pelo D. Rui Valério, patriarca de Lisboa, que reuniu mais de 180 mil peregrinos na Cova da iria. De todos os continentes, de mais de 30 países, porque Fátima não é só de Portugal, é do mundo. A grande intenção que brotava do coração de todos, “Mater Ecclesiae da nobis pacem”, cantava-se em latim, para que todos entendessem. Tal como no tempo das aparições, em 1917, o mundo está em guerra. Por isso, quer o cardeal patriarca de Lisboa, quer o Bispo de Leiria -Fátima convidaram ao compromisso “por uma Paz desarmada e desarmante” como nos ensina o papa Leão XIV. “Lutemos com o valor do Amor, que não distingue raças e nacionalidades”, exortou D. José Ornelas
E o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, foi muito preciso e apelativo na homilia da Eucaristia: “Não basta admirar Fátima. É preciso viver Fátima. Não basta acender uma vela. É preciso tornar-se luz. Não basta passar por este lugar. É preciso deixar que este lugar passe pela nossa vida. “Fátima não é um ponto de chegada. Fátima é um ponto de envio”,
“Partimos para levar esperança aos desanimados, partimos para levar reconciliação onde há divisão, partimos para levar paz onde há violência, partimos para levar luz onde há trevas. Não tenhais medo de ser luz. Não tenhais medo de ser santos. Não tenhais medo de mostrar ao mundo a beleza de Deus… A Mensagem de Fátima só é verdadeiramente acolhida quando se transforma em missão. Quando aquilo que aqui recebemos se torna luz para os outros. Quando aquilo que aqui contemplamos se transforma em vida nova e tem impacto concreto na sociedade.”, explicou o responsável católico.
Como diria santo Henrique de Ossó, nosso fundador, quando voltou a Reus, depois da morte da mãe: “Voltei, mas não como antes”. Também nós voltamos para Elvas diferentes e com uma Missão: Vivermos mais atentos às feridas do próximo, valorizando a solidariedade e a proximidade compassiva perante o sofrimento alheio. Amar como Maria, ser próximos e recusar a indiferença. Os outros, de qualquer cor ou raça, não são para nós ameaça mas sim irmãos.
E depois da impressionante “procissão do adeus”, regressamos às nossas casas, “por outro caminho”, o caminho do AMOR, o caminho da LUZ, o caminho da Esperança e da Paz.
Maria de Fátima Magalhães stj




